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Brasil

22/01/2019

Impactou a minha alma, diz procurador que investigou exploração sexual na Igreja, na PB

Impactou a minha alma, diz procurador que investigou exploração sexual na Igreja, na PB

O procurador do Trabalho na Paraíba que participou das investigações que resultaram na condenação, na Justiça do Trabalho, para que a arquidiocese pague R$ 12 milhões por casos de exploração sexual contra menores de idade, relatou, em um trecho inédito da entrevista ao Fantástico, que esse foi o caso mais difícil da vida dele. Os vídeos foram exibidos nesta segunda-feira, 21, pelo JPB 1ª Edição.

Arquidiocese da Paraíba afirmou, por meio de nota divulgada que “o Procurador do Trabalho violou explicitamente o sigilo” ao conceder entrevista sobre a condenação. A Arquidiocese pontuou que vai adotar as medidas necessárias para a apurar as responsabilidades em relação ao desrespeito à lei e à ordem jurídica.

Segundo Eduardo Varandas, foi possível perceber um sofrimento intenso nos depoimentos das vítimas. “Um sentimento de vergonha, de medo, de humilhação. Depois, nós vivemos num país que tem a questão moral e a questão teológica muitas vezes acima da questão legal”, disse.

De acordo com o procurador, essa situação causava nas vítimas um certo sentimento de contrariedade e foi preciso humanizar o processo, para que as pessoas se sentissem confortáveis para contar o que tinha acontecido.

“Eu acho uma subversão de valores indevida, porque a lei é para todos, a religião é uma escolha. E aí essas pessoas se sentiam meio contrariadas, por estarem eventualmente enfrentando Deus, já foi me dito isso num depoimento”, comentou.

“Eu tentei fazer com que elas se sentissem mais à vontade o possível para falar a verdade, abdiquei de alguma postura inquisitorial mais severa, para que não houvesse uma situação, assim, de superioridade do Ministério Público perante a vítima, mas uma situação de igualdade, porque afinal todos nós somos humanos. E, através dessa humanização nas inquirições, a gente conseguiu atingir a verdade”, explicou.

Para Eduardo Varandas, o depoimento que mais o marcou foi o de uma pessoa que era menor de idade. “O que me causou uma dor maior foi a situação de alguém que, à época, tinha 12, 13 anos de idade. Essa foi uma coisa que impactou a minha alma mesmo. E não tem como você não se colocar no lugar da pessoa. Nenhuma autoridade é um robô, né? Então foi muito triste averiguar isso”, pontuou.

Já em relação aos religiosos citados, ele explicou que todos negaram o crime. “A única admissão, que entendo como, de fato, admissão foi a carta aberta à imprensa, do próprio Dom Aldo Pagotto, onde ele reconhece que aceitou religiosos ou seminaristas com problemas graves, inclusive sexuais. Então, para mim, isso é uma confissão implícita, quando ele se despede da Igreja e diz que aceitou essas pessoas por um ato de misericórdia”, frisou.

Conforme o procurador, os padres foram ouvidos com cuidado, respeito e atenção, mas um desconforto que ele considera natural foi gerado, devido aos assuntos sensíveis.

“A oitiva dos padres foi difícil, inclusive alegaram que houve cerceamento do direito de defesa, o que não é verdade, porque o inquérito civil não é uma peça condenatória, ele é uma peça averiguatória”, afirmou.

Reabertura do caso no MPPB

Em 2017, o caso foi arquivado pelo Ministério Público da Paraíba (MPPB), após a prescrição do caso, ou seja, pela lei, não poderiam mais ser julgados por serem antigos.

No entanto, segundo o procurador estadual Francisco Sagres, a investigação pode ser reaberta caso surjam novos fatos. “Um fato não discutido na esfera daquele momento do arquivamento. Pode, portanto, ser reaberto a qualquer momento desde que haja um fato que demonstre a existência do crime e que não esteja dentro da ótica da prescrição, nem da decadência”, explicou.

 

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Fonte: GOIOERÊ | CIDADE PORTAL | G1

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